Quem compra bobina de ráfia não compra metro: compra peso. O tecido de polipropileno sai da fábrica enrolado em bobinas de 250 a 350 kg, e a metragem que aquele rolo vai render depende da gramatura e da largura que você especificou. Errar essa conta significa fechar um pedido que não cobre a produção do mês ou sobrar tecido parado no estoque.

O que se compra quando se compra uma bobina

O tecido de ráfia de polipropileno em bobina é vendido em duas formas: tubular e plano.

O tubular sai da tecelagem como um tubo achatado. É a forma usada por quem confecciona sacos: corta no comprimento, costura o fundo e já tem a peça fechada nas laterais, sem costura lateral. O plano é o tecido aberto, em folha única, e serve para revestimento, forro, capa, laminação em outro substrato ou confecção que exija corte livre.

Essa escolha vem antes de qualquer discussão de preço, porque muda a largura disponível, o rendimento por quilo e o processo de conversão na sua fábrica. Quem ainda está definindo a linha encontra o detalhamento completo de gramatura, acabamento e aplicação no guia de especificação de tecido de ráfia.

Larguras e circunferências padrão

FormaLinhaMedida padrãoObservação
TubularLeve35 a 100 cm de larguraFaixa contínua dentro do intervalo
PlanoLeve90 a 120 cm de larguraGeralmente laminado; versão convencional também existe
PlanoPesado100, 105 e 110 cmOutras larguras sob consulta
TubularPesado360 e 376 cm de circunferênciaBase para big bag de 90×90 cm e 94×94 cm

Cada faixa da tabela vale apenas para a combinação de forma e linha da própria linha da tabela — não há uma largura única que atravesse tubular e plano, nem leve e pesado.

No tubular pesado a medida de referência é a circunferência, não a largura. O lado do big bag equivale a um quarto da circunferência do tecido: 360 cm formam bag de 90×90 cm e 376 cm formam 94×94 cm. Quem vai converter tecido em big bag encontra essa geometria destrinchada no post sobre circunferência, gramatura e medidas do tecido para big bag.

Um ponto que gera pedido errado com frequência: 35 cm é piso confirmado para o leve tubular. Não assuma essa largura no plano — a faixa do plano começa mais alta, e largura fora do padrão é confirmada na cotação.

Gramatura da linha leve

Na linha leve, as gramaturas de referência são:

  • 57 a 60 g/m² — convencional, sem laminação.
  • 65 g/m² — laminado, com filme de polipropileno aplicado sobre o tecido.

A laminação cria barreira contra umidade e pó no corpo do tecido. Se o produto final for um saco, a costura e a boca continuam sendo passagem — a barreira é do pano, não da peça montada. Isso precisa entrar no cálculo de quem embala material higroscópico.

Gramaturas da linha pesada e de itens fora do padrão são informadas na cotação, porque variam com a construção do tecido.

De quilo para metro linear: a conta que decide o pedido

A fórmula é direta:

metros lineares = peso da bobina (g) ÷ [gramatura (g/m²) × área por metro linear (m²/m)]

No tecido plano, a área por metro linear é a própria largura. No tubular, o tubo tem duas faces, então o desenvolvimento corresponde ao dobro da largura achatada — confirme esse critério na cotação, porque ele muda o rendimento pela metade e é a origem mais comum de divergência entre a metragem esperada e a recebida.

Três exemplos com valores da faixa padrão, tomando uma bobina de 300 kg:

  • Plano leve laminado, 65 g/m², 1,00 m de largura: 300.000 g ÷ (65 × 1,00) ≈ 4.615 m lineares.
  • Plano leve convencional, 57 g/m², 1,00 m de largura: 300.000 g ÷ (57 × 1,00) ≈ 5.263 m lineares.
  • Tubular leve convencional, 60 g/m², 50 cm achatado (1,00 m² por metro linear): 300.000 g ÷ 60 ≈ 5.000 m lineares.

Como a bobina fica entre 250 e 350 kg, a mesma especificação varia de rendimento conforme o rolo. No caso do plano laminado de 1,00 m acima, a faixa vai de aproximadamente 3.846 m (250 kg) a 5.385 m (350 kg). Ao programar produção, trabalhe com o piso da faixa e trate a diferença como folga, nunca o contrário.

Peso exato da bobina, gramatura efetiva e tolerância de largura são confirmados na cotação.

De metro linear para quantidade de peças

Com a metragem estimada, o número de peças sai de:

peças por bobina = metros lineares ÷ (comprimento de corte da peça + perda de corte)

O comprimento de corte é decisão sua, não da fábrica: é a altura útil do saco somada à sobra de boca e à dobra de costura de fundo que o seu processo consome. Se o seu corte é de 0,90 m por peça, os 5.000 m do exemplo tubular rendem cerca de 5.555 peças brutas. Aplique sobre isso a sua perda real de setup, emenda de bobina e refugo de costura — quem já mede essa perda internamente tem a estimativa mais confiável que qualquer tabela de fornecedor.

Vale montar a conta nos dois sentidos. Se a demanda é de 40.000 peças/mês com corte de 0,90 m, o consumo é de 36.000 m lineares antes de perdas — e aí você sabe quantas bobinas precisa programar, em vez de pedir “algumas bobinas” e descobrir o descompasso na terceira semana.

Se a operação não tem confecção própria, a alternativa é comprar a peça pronta em vez do rolo: a linha de sacos de ráfia cobre convencional, laminado, boca aberta, valvulado, com alça, sanfonado e impresso, com até 4 cores de impressão.

Pedido mínimo, prazo e o que “rolo de ráfia natural” quer dizer

O pedido mínimo de tecido é 1 bobina. Não existe exigência de fechar carga cheia para comprar rolo de ráfia, e a maioria dos itens sai a pronta entrega; especiais ficam sob consulta. Quem está avaliando volume de entrada em outras linhas encontra o mesmo raciocínio aplicado a peças prontas nas 12 dúvidas sobre pedido mínimo de sacos industriais.

Sobre “rolo de ráfia natural”: no vocabulário de compras o termo costuma designar o tecido sem impressão e sem pigmentação especial, e não tem relação com a ráfia de origem vegetal — são materiais diferentes, como está detalhado no post sobre o que é ráfia. Se o seu desenho de embalagem depende de cor específica, especifique a cor pelo nome e confirme a combinação com o acabamento na cotação, porque nem toda cor acompanha toda configuração de laminação.

Impressão em bobina existe, mas o número de cores é informado sob consulta — o teto de 4 cores vale para a linha de sacos, não é número transferível para o tecido em rolo.

Duas limitações que convém registrar antes de fechar o pedido: laudo e certificação de material são emitidos pela fábrica, não pela PacBem — quando a aplicação exigir ensaio ou documento técnico, solicitamos o laudo à fábrica; e a tolerância dimensional da bobina (largura e peso) deve ser verificada contra a tolerância que o seu equipamento de conversão aceita, sobretudo em máquinas com guia de borda ajustada.

Comprar via representação comercial

A PacBem não fabrica, não mantém estoque e não revende. A venda é faturada diretamente pela fábrica, o que significa preço de fábrica, sem margem de revenda embutida no metro. O trabalho aqui é anterior e posterior ao faturamento: traduzir a sua aplicação em especificação de tecido, negociar a condição comercial e acompanhar o pedido da cotação até a entrega, com um interlocutor técnico só — sem repassar o assunto para um canal de atendimento a cada e-mail.

Corte esquemático de duas bobinas de ráfia lado a lado — uma tubular (largura achatada, desenvolvimento igual ao dobro) e uma plana (largura útil) — com a cadeia de conversão peso da bobina em kg, dividido por gramatura x largura, resultando em metro linear e, na sequência, dividido pelo comprimento de corte da peça, resultando em quantidade de peças

O que informar para receber uma cotação precisa

Reúna estes dados antes de pedir a cotação. Com eles a resposta sai fechada; sem eles, ela vem em faixa:

  • Forma: tubular ou plano.
  • Linha: leve ou pesada.
  • Largura (plano) ou largura achatada / circunferência (tubular), em centímetros.
  • Gramatura desejada em g/m², ou a aplicação e o peso do produto embalado, se preferir que a gramatura seja indicada a partir do uso.
  • Acabamento: convencional ou laminado.
  • Cor e se haverá impressão — quantidade de cores e arte, ainda que em rascunho.
  • Volume: quantidade de bobinas ou consumo mensal em quilos, e se é compra pontual ou programação recorrente.
  • Aplicação final: que produto será embalado, se há armazenagem externa, exposição a sol, empilhamento ou transporte marítimo.
  • Local de entrega e restrição de descarga, já que a bobina chega entre 250 e 350 kg e exige equipamento para movimentação.
  • Documentação exigida pelo seu cliente ou pela sua qualidade, para que o laudo correspondente seja solicitado à fábrica.

Quanto mais próxima da realidade da sua linha de conversão for a informação de corte e perda, mais precisa fica a quantidade de bobinas programada — e menos tecido fica parado no almoxarifado esperando o pedido seguinte.